Sexualidade Infantil

A ideia de que a sexualidade é infantil traz em si muitas dúvidas. Vejamos algumas.

Se é infantil e, na infância não há genitalidade, que sexualidade é essa?

Claro que a sexualidade é infantil, inclui tudo o que a criança aprende desde cedo por via da estética – para ser bonita aos olhos dos pais – como admiração, inveja, amor, ciúme, raiva, medo, segurança, aconchego, simpatias, antipatias, preferências, alegria, tristeza, atração, repulsa e tudo o mais que puder mexer com suas emoções, embora estas emoções ainda não diretamente ligadas aos genitais.

A forma direta serve a procriação e perpetua a espécie. Essa função só poderá ser exercida após a puberdade. Ou seja, o que pensamos sobre sexualidade, essa forma genital direta para reprodução, só será uma pequena parte dela e exclusiva da vida adulta. Por não haver genitalidade, a sexualidade se manifesta pelas vias indiretas, posto que chamamos de diretas, as vias genitais. Isso mostra que o sexo não é somente o que ocorre nas esferas genitais e, mais importante, ele se inicia antes da genitalidade estar presente da forma adulta. Assim, a sexualidade é infantil e sua forma adulta (pós puberdade) é apenas extensão da forma infantil e dependente dela.

Se Freud fala que ela se desenvolve totalmente até os cinco anos de idade, então ela tem um início indireto, sublimado e sua forma final é a mais direta, ou seja, genital ou subordinada aos genitais. Contudo, Freud também inclui que seria possível haver um ato sexual sem algumas formas de aproximação e ações indiretas, como as carícias e beijos, por exemplo.

A sexualidade infantil, ou seja, a sublimada, é a que permite a construção da cultura. Pois, é a partir dos produtos da forma indireta, pela necessariedade do outro, que se aprende a conviver e buscar satisfação também indireta através das relações, trabalho, estudo, etc.

Temos de considerar que os aspectos indiretos do sexo, em sua maioria coincidem com o que foi vivido na infância, quando não poderia haver sexo genital, ou seja, havia somente substitutos, e substitutos de um original que ainda não estava presente. Esses substitutos já eram a sexualidade sublimada, já que a sublimação é da pulsão e não da genitalidade. A pulsão é a mesma desde sempre. O curioso é que essa extensão do sexual coincide com uma sublimação.

A cultura exige, então, tanto a forma adulta direta como exige a sexualidade infantil sublimada. A primeira, como exigência biológica da manutenção da vida e a segunda como manutenção da cultura mesma.

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